Como a prática de movimento me tirou do estado de depressão

Há aproximadamente dois anos atrás, eu encerrava 10 anos de dedicação a indústria do fitness. Foi uma jornada de muito aprendizado, muitos momentos felizes, mas também de muitas decepções e frustrações.


Quando comecei a entender como o sistema que sustentava essa indústria funcionava, me senti numa posição muito desconfortável, pois era o que eu amava fazer, educar pessoas através da prática de movimento ajudando cada aluno a terem mais consciência a respeito do seu corpo e como alcançar autonomia sobre seu corpo, saber de fato como cuidar melhor do seu templo, do seu bem mais precioso.


Pensando dessa forma, fui evoluindo como profissional, a ponto de conseguir abrir a minha própria academia, estava saindo do status professor, e passando para empresário. Foi uma transição de uma certa forma rápida, e quando percebi já havia acontecido. Só comecei a perceber quando tirei minhas primeiras férias de trabalho, depois de mais de 8 anos. Percebi o quanto de coisa deixei de fazer, coisas que eu amava mas não estava tendo mais tempo para praticar, e não falo apenas de hobbies, até a minha própria prática de atividade física estava sendo comprometida, já não praticava com a constância que gostaria, com a qualidade que deveria, e isso começou a dar os primeiros sinais na minha saúde.


Talvez você conheça alguém que tenha vivido uma história parecida, e se você não conhece, provavelmente esse alguém é você, pare pra pensar.


Esse estilo de vida, empresário do mundo fitness, vendia "saúde", mas a minha própria estava indo embora. Estava sendo literalmente consumido pelo sistema, um esgotamento de energia que nunca havia presenciado, e parando para analisar, a cada degrau que subia rumo ao padrão de sucesso que vemos por ai, mais doente eu ficava.


Vendi minha parte da sociedade, e me comprometi a não dedicar mais minha energia para essa industria, uma mistura de revolta com decepção, não sabia o que seria dali para frente, mas sabia que aquela não era a vida que eu queria mais.


Tirei o famoso ano sabático, e durante esse período realizei alguns projetos que me fizeram refletir ainda mais. Primeiro comecei a cuidar de pessoas em frente a minha própria casa, depois de anos dedicado a essa indústria, havia desenvolvido um método próprio de trabalho, e comecei a aplicá-lo divulgando quase que no um a um, o projeto foi tomando corpo, de 0 a 10 alunos em poucas semanas. Percebi nesse momento que havia desenvolvido mais do que um método, havia desenvolvido um estilo de vida, uma organizada "caixa de ferramentas" que quando usadas com inteligencia, transformavam a vida das pessoas, independente do nível de condicionamento. Atuava além do pilar físico, conseguia mexer com o pilar mental, emocional e até espiritual.


Quando tudo parecia bem, o universo decidiu testar minhas decisões.


O método despertou o interesse em um parceiro, e logo, tive a oportunidade de continuar aplicando meu método novamente dentro da indústria do fitness. A principio, vi um sentido e resolvi encarar o desafio, mas a vida é uma caixinha de surpresa, e ela decidiu me ensinar de uma forma bem dura.


Eu havia alinhado meu estilo de vida com o meu propósito de vida, e estava feliz cuidando de pessoas em frente a minha casa, mas talvez enganado pela ambição, ou simplesmente vendado pelo ego, lá estava eu tentando voltar para uma vida que eu já tinha visto que não era mais a minha.


Muitas coisas aconteceram desde então, e por falha no planejamento estava me vendo falindo, literalmente. Foram momentos difíceis, ter que abandonar o projeto em andamento por falha no meu planejamento financeiro foi bem duro.


Foram exatos dois dias em estado depressivo bem intenso, tentando entender tudo que estava acontecendo, e o porque de tudo estar acontecendo, tirar algo de positivo, sempre acreditei em energia, sempre ajudar ao próximo, porque estava passando por essa situação?


Dois dias dentro do quarto, só saindo para beber água, ao todo foram mais de 50 horas em jejum, vi como meu corpo respondia aquela situação, fiquei impressionado com a quantidade de pensamentos que somos capazes de produzir por hora, minuto, segundo, e como alimentar determinados momentos nos fazem mal. Foi uma viagem para dentro de mim, buscando achar uma resposta, meditando, conectando com a minha essência.


Até que uma chave virou. Uma voz surgiu em meus pensamentos falando: Movimenta!


Depois disso, levantei decidido a mudar, de novo, literalmente. Mudei de cidade, voltei para perto da minha família, havia abandonado desde os meus 15 anos, quando comecei a namorar e me mudei de cidade para iniciar minha faculdade. Essa volta foi um divisor de águas em minha vida.


Buscando respostas em mim, percebi que muitas das minhas crenças de vida e convicções, foram moldadas pelo ambiente que cresci, alguma dessas crenças não me pertenciam, eu simplesmente havia incorporado como uma verdade, meio que por osmose, sabe?

Esse movimento, se você acredita em energia, é chamado de retorno de saturno, e foi exatamente aos meus 28 anos que aconteceu. Tudo começou a fazer muito sentido.


Foquei no meu processo de cura, todos os conceitos que havia aprendido, todas as práticas que havia realizado, fiz um filtro, analisei o que de fato fazia sentido permanecer em minha vida, e todo resto simplesmente descartei. Resolvi aplicar em mim mesmo, toda a teoria que embasava minha metodologia, estudei, pratiquei, fui atrás de mais referências, em outras línguas, reformulei minha metodologia, aderi a um novo estilo de vida, acreditei, e comecei a colocar em prática.


Nesse momento que escrevo, são exatos 30 dias colocando em prática toda a experiência adquirida, e compartilhando com o universo uma nova forma de viver a vida e de contribuir com a sociedade, diariamente me pergunto como posso ser contribuição, como pode melhorar.


Sobre movimento e como ele salvou minha vida, entendi nesse tempo, que a palavra em minha mente era um sinal, uma clara demonstração da conexão entre corpo, mente, emoção e espírito, uma mensagem que recebi, me mostrando que quando diminuímos ou paramos de nos movimentar, o corpo adoece. A ausência de movimento é a ausência de vida, e vice e versa. A prática de movimento, é a prática de vida, e vice e versa.


Sobre a depressão, não foi ninguém que me falou, foi o que eu senti, e posso afirmar, é um estado, um estado de esgotamento de energia, o que leva a uma diminuição da nossa capacidade movimento. Mas o nosso corpo é inteligente, um ciclo onde a energia alimenta o movimento, e vice e versa.


Somos energia em movimento, e vice versa.


Um beijo no coração e tudo de bom.


Fica na paz.


Brau Reis.

@obraureis

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